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Senhores
José Luis Ponce Caraballo, Embaixador de Cuba, País Garantidor
John Petter Optdal, Embaixador da Noruega, País Garantidor
Carlos Ruiz Massieu, Chefe da Segunda Missão de Verificação das Nações Unidas
Senhora
Juliette de Rivero, Representante do Escritório para os Direitos Humanos ONU
Estados, governos e povos do mundo
Gente de boa vontade e amante da paz
Senhores
Emilio Archila, Conselheiro Presidencial para a Estabilização e a Consolidação
Miguel Ceballos, Alto Conselheiro para Paz
Senhora
Alicia Arango, Ministra do Interior
Senhores
Francisco Carrillo, Procurador Geral da Nação
Carlos Camargo, Defensor do Povo
Francisco Barbosa, Promotorl Geral da Nação

JÁ BASTA DE PROMESSAS, O EXTERMÍNIO TEM QUE PARAR!

Senhoras e senhores:

Em nossa qualidade de parte contratante do Acordo de paz subscrito entre as FARC-EP e o Governo nacional nos dirigimos a vocês em meio à dor e à impotência que a continuidade do extermínio do qual estamos sendo objeto produz. Se produziram nos últimos dias três novos assassinatos de signatários do Acordo de paz. Helier Cuesta Mena, em Llanos de Neguá, Quibdó, Chocó; Jorge Riaños Ramos, Vereda Santander, Florencia, Caquetá; Enod López Berján e sua companheira Nerie Peña Rosas, na vereda Galilea do município de Puerto Guzmán, Putumayo. A escabrosa cifra da morte chega a 241. Nossas reiteradas manifestações e fatos comprovados de cumprimento das obrigações contraídas com o Estado e a sociedade colombiana não estão sendo respondidas pela contraparte.

Ao estado crítico e precário em que o governo do presidente Iván Duque levou a implementação se acrescenta sua demonstrada incapacidade de garantir a vida dos que –de boa-fé e confiando no cumprimento do Estado colombiano- firmamos o Acordo de paz. Os fatos indicam que se não se toma medidas urgentes e se execute ações imediatas para enfrentar de maneira decidida a persistência da violência política, se estará frente a opacidade definitiva da esperança transformadora que a firma do Acordo de paz gerou há quatro anos. E nisso cabe uma responsabilidade maiúscula ao Governo nacional.

Nosso grito desde a Colômbia ferida e sangrando é pela vida. Já basta de promessas, de anúncios de compromissos, de proliferação de cifras com as quais se pretende mostrar uma ficção. A realidade profunda e pura evidencia que em mãos deste governo se assiste a uma intensificação da violência, especialmente nos territórios da Colômbia profunda. Essa realidade mostra de maneira irrefutável a ineficácia da ação governamental para enfrentar a violência e o fracasso de sua política de segurança.

A dez dias da reunião dos representantes da Peregrinação pela Vida e pela Paz com o presidente Duque, o quadro da violência sistêmica continua se obscurecendo. Foram cometidos os três assassinatos apontados acima. A 14 de novembro foram massacrados em Tierralta [Córdoba] três integrantes da uma humilde família campesina; as ameaças contra ex-integrantes das FARC-EP fazem parte da cotidianidade [enquanto a CSIVI se reunia, em 12 de novembro foram ameaçados líderes do ETCR de Tierra Grata; a 14 do mesmo mês foi ameaçado de morte em Barrancabermeja o enlace territorial da CSIVI]; em Bogotá e Soacha apareceram panfletos das Águilas Negras-Bloco Capital, sentenciando a morte a Aída Avella, presidenta da União Patriótica, Iván Cepeda, destacado senador do Polo Democrático, e outras personalidades comprometidas com a paz. Ao qual se agregam os inumeráveis casos de confinamento e deslocamento forçado de comunidades de extremo a extremo do país.

Não nos satisfazem em absoluto as linhas de argumentação e justificativas do que está ocorrendo, como o mero resultado de economias ilegais, especialmente do narcotráfico e de vinganças entre mafiosos e grupos armados. Tampouco os “esclarecimentos” dos perpetradores diretos à frente desses grupos.

Se, na verdade, esse governo não quer arcar com a responsabilidade histórica de ter despedaçado o Acordo de paz, é hora de que retome a rota traçada pelo Acordo Final, que não é outra que a da implementação integral e a posta em marcha do s istema de garantias de segurança nele disposto, assim como da busca da paz completa. Esse é o único caminho possível para virar de forma definitiva a página da violência em nosso país.

Os exortamos a que, de acordo com suas faculdades e possibilidades, nos acompanhem neste propósito. De nossa parte, reafirmamos uma vez mais o compromisso de continuar contribuindo com a implementação do pactuado.

Comissão de Seguimento, Impulso e Verificação à Implementação-Componente FARC
CSIVI-FARC

Bogotá, 16 de novembro de 2020.

Tradução > Joaquim Lisboa Neto