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Por ocasião da investigação publicada pela Revista Semana, o Partido Força Alternativa Revolucionária do Comum expressa sua solidariedade com jornalistas nacionais e internacionais, pesquisadores sociais, personalidades políticas e cidadãos em geral que têm sido alvo de seguimentos e fustigações por parte do aparelho de inteligência e contra inteligência militar colombiano, que constitucionalmente atende ordens do presidente Iván Duque.
A investigação em menção revela informação preocupante acerca da forma em que algumas unidades de Inteligência e Contra Inteligência militar, ao que parece com conhecimento de altos mandos militares, viriam realizando perfis de jornalistas colombianos e estadunidenses, líderes sociais, dirigentes de partidos de oposição e cidadãos, com o objetivo de promover campanhas de desprestígio e intimidação, utilizando para isso recursos do erário e dinheiros de cooperação outorgados por agências de inteligência estrangeiras.
Chama poderosamente a atenção que, enquanto os líderes sociais e ex-guerrilheiros se encontram em total desproteção, os organismos de inteligência militar se ocupem em indagar como “alvo legítimo” a jornalistas nacionais e estrangeiros, opositores políticos, pesquisadores, e inclusive cidadãos do comum com os quais estes se interagem socialmente.
Este novo escândalo nos obriga a insistir na urgência de um debate nacional sobre a doutrina militar e de segurança do Estado, que supere a ideia do inimigo interno, substituindo-a, tal como reza no Acordo Final de Paz: “por uma concepção moderna, qualitativamente nova, da segurança que, no marco do fim do conflito, se fundamenta no respeito da dignidade humana, na promoção e no respeito dos direitos humanos e na defesa dos valores democráticos…”.
Estamos convencidos de que existe no interior das Forças Armadas imensas reservas morais e éticas, representadas por milhares de homens e mulheres que não compartem com estes procedimentos ilegais e antidemocráticos; por isso, os convidamos a denunciarem aos responsáveis ante as autoridades competentes.
O Governo Nacional está na obrigação de esclarecer o sucedido, incluindo responsabilidades políticas; à justiça corresponde agir com os responsáveis e levá-los ante os tribunais; os entes de controle devem garantir a transparência nas investigações, que não podem ficar no marco de indagações internas de tipo disciplinar.
Reiteramos a exigência ao Estado colombiano de cumprir o Acordo Final de Paz, procedendo com ações conducentes ao desmonte das estruturas sucessoras do paramilitarismo responsáveis pelo extermínio de militantes de nosso partido e lideranças sociais em todo o território nacional. Os serviços de inteligência do Estado devem se ocupar dos verdadeiros inimigos da sociedade e da democracia, de não revitimizar, perseguir, fustigar e desprestigiar a jornalistas, opositores e cidadãos honestos que exercem papéis de liderança.

CONSELHO POLÍTICO NACIONAL,
FORÇA ALTERNATIVA REVOLUCIONÁRIA DO COMUM-FARC
Bogotá DC, 2 de maio de 2020.