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No dia de ontem a trágica notícia de um massacre perpetrado na corregedoria de Tacueyó, município de Toribío, comoveu a consciência nacional. O assassinato de uma governadora indígena e quatro comuneiros e as feridas causas a mais seis constitui uma reprovável aberração que condenamos com veemência ao tempo em que nos solidarizamos com os familiares das vítimas, amigos e comunidade em geral.

O presidente Iván Duque tem se distinguido por não ouvir o clamor de paz das comunidades em zonas que sofreram de maneira mais profunda o conflito social e armado e tem se mostrado de costas ao cumprimento do Acordo de paz. Em seu governo reaparece a macabra figura do paramilitarismo e dos crimes de Estado executados de maneira bárbara por unidades do Exército Nacional, como os ocorridos contra o ex-guerrilheiro das FARC-EP Dímar Torres no Catatumbo e, mais recentemente, contra o indígena Jair Tompeta Paví em Corinto, Cauca.

A ausência institucional em todas as suas manifestações facilita a proliferação de grupos que fazem justiça com mão própria e geram anarquia nos territórios. Esta situação em muitas ocasiões é aproveitada por forças cujo interesse é manter a Colômbia em guerra e no caos, como forma de prevalecer com seu poder e seus privilégios. Como vem ocorrendo com o assassinato sistemático de nossos companheiros subscritores do Acordo de Paz. O Estado colombiano é o primeiro responsável pelo genocídio do qual estão sendo objeto as comunidades rurais, especialmente a caucana, onde indígenas, campesinos e ex-integrantes das FARC-EP vêm sendo assassinados de maneira cruel e inumana.

De qualquer forma, rechaçamos a agressão inclemente que se enfurece contra as autoridades do milenar povo Nasa, que como poucos tem resistido durante centúrias ao despojo, à exploração e ao genocídio e cujas comunidades têm sido baluarte de resistência e luta por uma paz democrática.

Séculos de guerra sofridos pelo povo colombiano arraigaram uma cultura violenta que deve ser desaprendida, e em sua substituição edificar uma cultura de solidariedade, tolerância e paz. Para que nosso país saia do crônico pântano da confrontação, deve começar a resolver seus conflitos pela via do diálogo civilizado. Nenhuma causa justifica condenar nosso povo à morte e à desolação.

O destino da Colômbia não pode ser a guerra perpétua”.

CONSELHO POLÍTICO NACIONAL

FORÇA ALTERNATIVA REVOLUCIONÁRIA DO COMUM-FARC

Bogotá DC, 30 de outubro de 2019

Tradução > Joaquim Lisboa Neto