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O corpo seis vezes baleado de Alexander Parra, a quem conhecemos nas FARC como Rodolfo Fierro, antigo guerrilheiro e mando de extraordinária qualidade humana, estendido frente à casa que ocupava no Espaço Territorial de Capacitação Mariana Páez, em Mesetas, Meta, é a demonstração palmar de que esse governo não oferece as mais mínimas garantias para os que deixamos as armas e nos reincorporamos à vida civil.

Esse não pode ser o destino dos que firmamos o Acordo de Paz. Passam de 170 os ex-guerrilheiros das FARC assassinados após nossa passagem à legalidade. Ouvimos das autoridades argumentações e pretextos mediante os quais se empenham em dissimular a sistematicidade deste novo genocídio. Rodolfo jogava xadrez no ETCR Mariana Páez, custodiado pelo Exército Nacional situado a cinco minutos de seu lar, quando os assassinos o surpreenderam. Hora e meia tardaram as tropas em se apresentarem ao lugar do crime.

Assim se expressava Rodolfo, convencido completamente dos benefícios do Acordo de Paz: “Penso que a paz nos levou a esse despertar e a essa confiança, a construir a paz. Já não está a angústia dos tiros, das bombas, como a perseguição, o temor. Não, eu penso que já há um reencontro da família colombiana e por isso estamos lado a lado e estamos todos muito emocionados com estas eleições hoje”.

Seu crime nos dói duplamente porque não se pode negar a responsabilidade do Estado. Este e o governo de turno estão obrigados a proteger a todos os cidadãos, a garantir que ninguém, absolutamente ninguém, se atribua a autoridade de matar a outro. Menos a quem, com a maior boa-fé se acolhe a um Acordo de Paz e cumpre estritamente seus termos. Há em Colômbia inimigos furibundos da paz, gente obcecada em despedaçar os Acordos, interesses declarados em que a guerra continue indefinidamente. Não se pode permitir que sigam ensanguentando a pátria.

O Estado colombiano assumiu compromissos muito sérios frente a nós outros, ao país e à comunidade internacional. O primeiro deles as garantias para a vida, a integridade e o exercício da atividade política. Exigimos o cumprimento de sua palavra. O presidente Duque não pode ficar só em declarações, tem a obrigação de tornar efetiva a letra dos Acordos de Paz, de maneira integral. Um Estado e um governo que não garantem a vida a seus cidadãos são um fracasso.

O camarada assassinado era esposo de Luz Marina Giraldo, Yesenia, candidata pelo partido FARC à câmara municipal de Mesetas, Meta. Se conhece que tanto ela como ele haviam solicitado medidas especiais de segurança à Unidade Nacional de Proteção sem terem obtido atenção. Colômbia não pode seguir vivendo este horror.

Solicitamos o apoio manifesto do povo colombiano e da comunidade internacional na defesa do Acordo. Aqueles que se beneficiam da violência não podem seguir arrebatando a paz ao nosso povo.

CONSELHO POLÍTICO NACIONAL 

FORÇA ALTERNATIVA REVOLUCIONÁRIA DO COMUM FARC

Bogotá, 25 de outubro de 2019

Tradução > Joaquim Lisboa Neto